Calculadora de Valor-Hora

Por Bruno Tonetto · Revisado em · Como verificamos

"Quanto vale minha hora?" e "quanto cobrar por hora?" parecem a mesma pergunta — e dão números muito diferentes. A primeira é salário ÷ jornada; a segunda precisa embutir impostos, contador, custos, férias e o fato de que só parte das suas horas vira nota fiscal. Calcule as duas: a tríade da hora CLT e o preço-piso do freelancer/PJ.

O erro de dividir por 160

O caminho intuitivo — meta de R$ 6.000 ÷ 160 horas = R$ 37,50/hora — quebra por três razões: nem toda hora é faturável (prospecção, propostas, administração e retrabalho comem 30–50% da semana), férias são 4 semanas sem faturar que ninguém repõe, e do que entra ainda saem Simples, INSS do pró-labore e contador. Refazendo a conta certa — 25 horas faturáveis por semana, 48 semanas, impostos via fator R — o piso para os mesmos R$ 6.000 líquidos é R$ 68,74/hora (faturando ~R$ 6.874/mês). Quase o dobro do palpite. É a diferença entre um freelancer sustentável e um que "trabalha muito e não sobra nada".

A tríade da hora CLT

Para quem é CLT, a hora tem três leituras, cada uma com um uso: a bruta (salário ÷ jornada — R$ 13,64 para R$ 3.000 em 220h) confere hora extra e DSR; a líquida (R$ 12,51) é a régua honesta de consumo — "esse jantar custa 8 horas do meu trabalho"; e o custo para a empresa (R$ 16,36 no Simples; ~1,5× a bruta fora dele) explica a distância entre o seu salário e o orçamento do seu chefe — e é o ponto de partida quando a conversa virar proposta PJ.

Do piso ao preço

O número da calculadora é o piso matemático — abaixo dele, prejuízo garantido. O preço real vem de posicionamento: especialização, senioridade, urgência e resultado entregue justificam múltiplos do piso, e a regra de bolso do mercado (2–3× o salário-hora CLT equivalente) só formaliza isso. O uso certo do piso é como linha de corte: proposta abaixo dele se recusa sem culpa, porque a alternativa CLT paga mais — com férias inclusas.

Dúvidas comuns

Quanto devo cobrar por hora como freelancer?

Parta do piso matemático: renda líquida desejada + impostos + contador + custos + as férias que você mesmo paga, dividido pelas horas faturáveis (não pelas 160–220h do mês). Para R$ 6.000 líquidos/mês com 25h faturáveis por semana, o piso é ~R$ 69/hora. Abaixo disso você está pagando para trabalhar; acima, é posicionamento — e é aí que se ganha dinheiro.

Por que não posso simplesmente dividir meu salário-alvo por 160 horas?

Porque nem toda hora vira nota fiscal. Prospecção, reunião de venda, administração, retrabalho e capacitação consomem 30–50% da semana — e férias são semanas inteiras sem faturar. Quem divide R$ 6.000 por 160h cobra R$ 37,50 e descobre no fim do ano que faturou menos do que precisava: o piso real, com 25h faturáveis e impostos, é quase o dobro disso.

Quanto vale a hora de quem ganha R$ 3.000 CLT?

Três leituras: R$ 13,64 bruta (salário ÷ 220h), R$ 12,51 líquida no bolso (após INSS; sem IR nessa faixa) e R$ 16,36 de custo para a empresa no Simples — fora dele, ~1,5× a bruta. A bruta confere hora extra; a líquida ajuda a decidir consumo; o custo explica a diferença entre o que você recebe e o que custa.

Cobro por hora ou por projeto?

O valor-hora é sua régua interna mesmo quando o preço é fechado: estime as horas, multiplique pela sua hora-piso e some margem de risco (projetos estouram). Cobrar por projeto costuma pagar melhor — desde que a régua por baixo esteja certa. Nunca aceite um fechado sem convertê-lo em R$/hora estimado.

Meu preço ficou "caro" comparado ao salário-hora CLT. Está errado?

Não — está certo. O CLT de R$ 6.000 custa para a empresa muito mais que R$ 6.000 (encargos), e o PJ ainda embute férias, impostos e risco próprios. É por isso que a regra de bolso do mercado é cobrar 2–3× o salário-hora CLT equivalente — nossa calculadora chega no número exato do seu caso, sem regra de bolso.

E se o cliente achar caro?

Preço se defende com escopo, não com desconto no piso: reduza entregas, não a hora. Descer abaixo do piso matemático significa financiar o cliente com o seu 13º inexistente. Se o mercado não paga seu piso, o problema é de posicionamento ou de custo — a calculadora mostra qual dos dois apertar.

Modelo do freelancer/PJ: Simples Nacional com fator R (pró-labore automático de 28%), contador e custos informados; não cobre lucro presumido, equipe, sócios nem variação de faturamento mês a mês. Estimativa educativa — precificação de mercado envolve fatores que não cabem em fórmula.