Quanto Custa um Funcionário?
Por Bruno Tonetto · Revisado em · Como verificamos
Para quem contrata, o salário é só o começo: FGTS, provisões de 13º e férias e — fora do Simples — INSS patronal, RAT e terceiros levam o custo real a 1,2× a 1,5× o salário antes de qualquer benefício. Calcule o custo mensal e anual do seu caso, verba a verba, e veja de onde vem cada real.
A conta certa começa nas provisões
Um salário de R$ 3.000 custa, todo mês, R$ 250 de 13º (1/12) e R$ 83,33 de 1/3 de férias (1/36) — o mês de férias em si já está nos 12 salários. A base real de encargos é, portanto, R$ 3.333,33 (1,11× o salário), e é sobre ela que incidem FGTS e INSS patronal. Planilha que aplica encargos só sobre o salário erra o custo em ~11% para baixo.
Simples × lucro presumido: os dois multiplicadores
No Simples Nacional (exceto Anexo IV), a contribuição patronal está dentro do DAS: sobram FGTS de 8% sobre a base e as provisões — R$ 3.000 de salário custam R$ 3.600/mês (1,20×). No lucro presumido/real, somam-se INSS patronal de 20%, RAT (~2%) e terceiros/Sistema S (5,8%) sobre a mesma base: R$ 4.526,67/mês (1,51×). A diferença — R$ 926,67 todo mês — é um dos motivos de tanta empresa pequena viver no Simples.
De onde vem o "custa quase o dobro"?
Você já ouviu que "os encargos passam de 100%" — e a conta existe de verdade: é a metodologia clássica do debate do Custo Brasil (José Pastore e entidades empresariais), que soma ~103% de "encargos" sobre o salário. Só que ela responde outra pergunta: quanto custa a hora efetivamente trabalhada, comparada ao salário-hora nominal. Nessa métrica, férias, feriados, DSR e 13º entram como "encargo" — porque são dias pagos em que ninguém trabalha. O DIEESE e o Banco Mundial criticam justamente isso: para o orçamento de quem contrata, essas verbas são salário diferido, não custo extra — o DSR e os feriados já estão dentro do salário mensal que você combinou.
Traduzindo para decisões: para orçar a contratação (quanto sai do caixa por mês), valem os multiplicadores desta calculadora — 1,20× no Simples, 1,51× fora dele. Para precificar a hora vendida de um funcionário (serviços, consultoria, obra), a métrica por hora trabalhada faz sentido — descontando férias, feriados e absenteísmo do denominador, o custo-hora chega mesmo perto do dobro do salário-hora. E o "2×" como regra de bolso de orçamento só se sustenta somando benefícios cheios, provisão de rescisão e custos indiretos: um salário de R$ 3.000 fora do Simples, com R$ 600 de benefícios e a multa provisionada, chega a 1,74× — perto do dobro, mas com cada real explicado.
Contratar é investimento — trate como um
Um funcionário de R$ 3.000 no Simples custa R$ 43.200 por ano. Antes de assinar, vale a mesma análise de qualquer projeto: o retorno esperado cobre o custo? O business case (VPL, payback, ROI) serve exatamente para isso. E se a dúvida é contratar CLT ou um prestador PJ, o outro lado da moeda está em CLT ou PJ — com a ressalva de que PJ com cara de empregado é fraude trabalhista.
Dúvidas comuns
Funcionário custa mesmo o dobro do salário?
Por que os encargos incidem também sobre 13º e férias?
O que é RAT e por que varia?
Empresa do Simples não paga INSS patronal mesmo?
Quanto custa demitir?
MEI pode contratar funcionário?
Estimativa das regras gerais para empregado urbano mensalista: não inclui verbas variáveis (horas extras, comissões), convenções coletivas, Anexo IV do Simples, contribuições específicas de categoria nem custos indiretos (treinamento, estrutura, turnover). Para fechar a conta da SUA contratação, valide com o contador.