Juros do Cartão de Crédito e Cheque Especial
O rotativo do cartão e o cheque especial estão entre as dívidas mais caras do Brasil: cobram juros compostos (juros sobre juros) a taxas que passam de 10% ao mês. Use a calculadora abaixo para ver a sua dívida crescer mês a mês e descobrir em quanto tempo você sai dela pagando um valor fixo.
Sem pagar nada, em 12 meses sua dívida vira
R$ 10.490,27
Partindo de R$ 2.000,00 a 14,81% ao mês. Informe um valor de pagamento mensal acima para ver em quanto tempo você quitaria.
Se a dívida ficar parada (juros sobre juros)
14,81% ao mês equivalem a 424,5% ao ano — é por isso que a dívida cresce tão rápido.
Por lei, no rotativo e no parcelamento de fatura a soma de juros e encargos não pode ultrapassar 100% do valor da dívida — ou seja, a dívida não pode mais que dobrar (Lei 14.690/2023, em vigor desde 2024). Os números acima mostram a matemática pura dos juros compostos; na prática, esse teto interrompe o crescimento da dívida do rotativo ao atingir o dobro do valor original. Ainda assim, é uma das dívidas mais caras do país: o ideal é quitar o quanto antes.
Taxa de referência: taxa média do rotativo do cartão segundo o Banco Central (jan/2026). As taxas reais variam por banco e por cliente — ajuste o campo para a taxa do seu contrato. Conteúdo educativo, não substitui as condições do seu banco.
O que é o rotativo do cartão de crédito
Quando você não paga o valor total da fatura, o banco financia o restante: é o crédito rotativo. Sobre esse saldo incidem juros altíssimos, e o que não for pago entra na fatura seguinte, somando juros sobre juros. Em janeiro de 2026, a taxa média do rotativo medida pelo Banco Central era de cerca de 14,8% ao mês — o equivalente a mais de 400% ao ano.
Por isso a regra de ouro é pagar a fatura inteira sempre que possível. Se não der, pagar o máximo que conseguir reduz bastante os juros — e, se possível, trocar a dívida do cartão por uma linha mais barata (veja abaixo).
Como os juros do cartão são calculados
É juros composto: a cada mês a taxa incide sobre o saldo devedor já acrescido dos juros anteriores. O saldo de uma dívida que fica parada cresce pela fórmula:
=saldo*(1 + taxa_ao_mês)^número_de_meses Exemplo: R$ 2.000 a 14,8% ao mês viram cerca de R$ 4.580 em 6 meses e quase R$ 10.500 em 12 meses, se nada for pago. É o famoso efeito bola de neve — por isso existe o teto legal que você vê a seguir.
O teto legal: a dívida do cartão não pode mais que dobrar
Desde 2024, por força da Lei 14.690/2023, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento de fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. Na prática, a dívida não pode mais que dobrar: se você devia R$ 1.000, o máximo que pode ser cobrado no total é R$ 2.000, por mais que demore. É uma proteção importante — mas continua sendo um crédito caríssimo, feito para ser quitado rápido.
Cheque especial: teto de 8% ao mês
O cheque especial é o limite que o banco libera na conta corrente. Para pessoa física, a taxa tem teto legal de 8% ao mês (Resolução CMN 4.765/2019) — ainda assim equivale a cerca de 150% ao ano. Serve para emergências de poucos dias; usado por muito tempo, vira uma bola de neve como a do cartão. Para empresas (PJ) não há esse teto.
Como sair da dívida do cartão
Como os juros são altos, qualquer troca por crédito mais barato costuma valer a pena:
- Empréstimo pessoal para quitar o cartão: a taxa costuma ser uma fração da do rotativo. Veja o empréstimo pessoal e o empréstimo pessoal online.
- Portabilidade da dívida para outro banco com juro menor — entenda em portabilidade de crédito.
- Negociar o parcelamento da fatura com taxa fixa, sempre comparando o custo total (use a calculadora financeira).
Em quanto tempo eu saio da dívida pagando um valor fixo?
Veja alguns exemplos a 14,8% ao mês (taxa típica do rotativo), pagando o mesmo valor todo mês até zerar:
- R$ 1.000 pagando R$ 200/mês: quita em 10 meses, com cerca de R$ 950 só de juros.
- R$ 2.000 pagando R$ 500/mês: quita em 7 meses, com cerca de R$ 1.260 de juros.
- R$ 3.000 pagando R$ 600/mês: quita em 10 meses, com cerca de R$ 2.870 de juros.
Quanto maior o pagamento mensal, menos juros no total — e mais rápido você sai. Teste o seu caso na calculadora acima.
Dúvidas comuns
Como funciona o rotativo do cartão de crédito?
Ao pagar menos que o total da fatura, o saldo restante vira uma dívida que cobra juros compostos mensais. Pela lei atual, você só pode ficar no rotativo por até um ciclo: depois o banco precisa oferecer um parcelamento da fatura, em geral com juros menores que os do rotativo.
Qual a diferença entre a taxa ao mês e ao ano?
Os bancos divulgam a taxa anual (ex.: ~425% ao ano), que é a taxa mensal
"esticada" para 12 meses com juros compostos. Uma taxa de 14,8% ao mês equivale a
(1 + 0,148)12 − 1 ≈ 424% ao ano. Na calculadora, informe sempre a
taxa ao mês.
Pagar o mínimo da fatura resolve?
Quase nunca. Se o pagamento for menor ou igual aos juros do mês, a dívida não diminui — pode até crescer. A calculadora avisa quando o valor que você digitou não cobre os juros: nesse caso, é preciso pagar mais para começar a reduzir o saldo.
O cheque especial é melhor que o cartão?
Em geral o cheque especial (teto de 8% ao mês) é mais barato que o rotativo do cartão (~14,8% ao mês), mas ambos são caros. Qualquer um deles deve ser usado só por poucos dias e trocado por uma linha mais barata assim que possível.
Resultados são estimativas para fins didáticos. As taxas reais variam por banco e por cliente e mudam todo mês — confirme as condições no seu contrato. Para comparar o custo de quitar a dívida com um empréstimo, use a calculadora financeira.