Juros do Cartão de Crédito e Cheque Especial
Por Bruno Tonetto · Revisado em · Dados de jul/2026 · Como verificamos
O rotativo do cartão e o cheque especial estão entre as dívidas mais caras do Brasil: cobram juros compostos (juros sobre juros) a taxas que passam de 10% ao mês. Use a calculadora abaixo para ver a sua dívida crescer mês a mês e descobrir em quanto tempo você sai dela pagando um valor fixo.
O que é o rotativo do cartão de crédito
Quando você não paga o valor total da fatura, o banco financia o restante: é o crédito rotativo. Sobre esse saldo incidem juros altíssimos, e o que não for pago entra na fatura seguinte, somando juros sobre juros. Pela média do Banco Central (jul/2026), o rotativo está em torno de 16,1% ao mês — o equivalente a cerca de 501% ao ano.
Por isso a regra de ouro é pagar a fatura inteira sempre que possível. Se não der, pagar o máximo que conseguir reduz bastante os juros — e, se possível, trocar a dívida do cartão por uma linha mais barata (veja abaixo).
Como os juros do cartão são calculados
São juros compostos: a cada mês a taxa incide sobre o saldo devedor já acrescido dos juros anteriores. O saldo de uma dívida que fica parada cresce pela fórmula:
=saldo*(1 + taxa_ao_mês)^número_de_meses Exemplo: R$ 2.000 a 16,1% ao mês viram cerca de R$ 4.903 em 6 meses e R$ 12.020 em 12 meses, se nada for pago. É o famoso efeito bola de neve — por isso existe o teto legal que você vê a seguir.
O teto legal: a dívida do cartão não pode mais que dobrar
Desde 2024, por força da Lei 14.690/2023, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento de fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. Na prática, a dívida não pode mais que dobrar: se você devia R$ 1.000, o máximo que pode ser cobrado no total é R$ 2.000, por mais que demore. É uma proteção importante — mas continua sendo um crédito caríssimo, feito para ser quitado rápido.
Cheque especial: teto de 8% ao mês
O cheque especial é o limite que o banco libera na conta corrente. Para pessoa física e o MEI, a taxa tem teto legal de 8% ao mês (Resolução CMN 4.765/2019) — ainda assim equivale a cerca de 150% ao ano. Serve para emergências de poucos dias; usado por muito tempo, vira uma bola de neve como a do cartão. Para as demais empresas (PJ) não há esse teto — veja o empréstimo PJ.
Como sair da dívida do cartão
Como os juros são altos, qualquer troca por crédito mais barato costuma valer a pena:
- Empréstimo pessoal para quitar o cartão: a taxa costuma ser uma fração da do rotativo. Veja o empréstimo pessoal e o empréstimo pessoal online.
- Portabilidade da dívida para outro banco com juro menor — entenda em portabilidade de crédito.
- Negociar o parcelamento da fatura com taxa fixa, sempre comparando o custo total (use a calculadora financeira).
Em quanto tempo eu saio da dívida pagando um valor fixo?
Veja alguns exemplos a 16,1% ao mês (a média atual do rotativo), pagando o mesmo valor todo mês até zerar:
- R$ 1.000 pagando R$ 250/mês: quita em 7 meses, com cerca de R$ 733 só de juros.
- R$ 2.000 pagando R$ 500/mês: quita em 7 meses, com cerca de R$ 1.465 de juros.
- R$ 3.000 pagando R$ 750/mês: quita em 7 meses, com cerca de R$ 2.198 de juros.
Quanto maior o pagamento mensal, menos juros no total — e mais rápido você sai. Teste o seu caso na calculadora acima.
Dúvidas comuns
Como funciona o rotativo do cartão de crédito?
Qual a diferença entre a taxa ao mês e ao ano?
(1 + 0,1612)12 − 1 ≈ 501% ao ano. Na calculadora, informe sempre a taxa ao mês.Pagar o mínimo da fatura resolve?
O cheque especial é melhor que o cartão?
Resultados são estimativas para fins didáticos. As taxas reais variam por banco e por cliente e mudam todo mês — confirme as condições no seu contrato.
Fonte: Banco Central do Brasil — taxas do cartão de crédito (rotativo), ref. jul/2026.