Consórcio ou Financiamento?
Por Bruno Tonetto · Revisado em · Como verificamos
Para comprar um carro ou um imóvel sem o valor à vista, há três caminhos: financiar (tem o bem na hora, paga juros), consórcio (sem juros, mas espera a contemplação) ou juntar e investir para comprar à vista depois. O simulador abaixo compara os três pelo custo (quanto sai do bolso) e por quando você fica com o bem — as duas metades da decisão.
Como o simulador compara as três vias
Cada via tem um custo e um tempo até você ter o bem — e comparar só o custo esconde metade da decisão. Por isso o simulador mostra, para cada uma, quanto sai do bolso e quando você fica com o bem.
Financiamento (Tabela Price)
Você recebe o bem e paga parcelas com juros compostos sobre o saldo devedor. O custo extra é o total de juros — que cresce com o prazo e com a taxa.
=PGTO(juros_am; meses; -(valor_do_bem - entrada)) Consórcio
Não há juros. Você paga a carta acrescida da taxa de administração (a maior parte) e do fundo de reserva; o custo extra é a soma dos dois. A taxa de administração cai conforme a carta aumenta (no imóvel, de ~23% nas cartas menores a ~17,5% nas maiores). Muitos planos cobram ainda uma taxa de adesão nas primeiras parcelas — que, pela regra do Banco Central, é uma antecipação da taxa de administração (não um custo à parte); se a sua já estiver embutida na administração, não some duas vezes. E há duas parcelas: até a contemplação, alguns planos cobram uma parcela reduzida (em geral 50%–75% da cheia); depois, a cheia. Essa redução é só de fluxo de caixa — a diferença é recomposta mais tarde (ou abatida do crédito), então o custo total contratado segue a carta cheia.
=valor_da_carta * (1 + taxa_admin + fundo_reserva) / meses =valor_da_carta * (1 + taxa_admin + fundo_reserva) + taxa_adesão Juntar e investir (comprar à vista)
A terceira via: em vez de pagar juros ou taxa de administração, você investe todo mês (o simulador usa a mesma parcela do consórcio) e compra o bem à vista quando o montante atinge a carta. Não há custo financeiro extra (juros ou taxa de administração) — o rendimento cobre parte do valor, então sai menos do seu bolso. Em troca, é quem faz esperar mais pelo bem (e a conta supõe que o preço do bem não suba acima do valor mirado). Para mirar um valor por prazo, veja a calculadora de meta financeira.
E o custo de oportunidade?
De propósito, o simulador não tenta valorar o bem no futuro — um carro deprecia e um imóvel é imprevisível, então "trazer o valor do bem a hoje" seria um chute frágil. Ele compara o que sai do bolso e põe o tempo ao lado, deixando você pesar os dois. Fica só uma conta extra na cabeça: se a taxa do financiamento for menor que o rendimento líquido do seu investimento, financiar e manter o dinheiro investido pode compensar mesmo pagando juros; se for maior, esperar (consórcio ou juntar) tende a valer mais.
Para destrinchar os juros do lado do financiamento, veja a Tabela Price, o simulador de financiamento e o Custo Efetivo Total (CET), que inclui tarifas e seguros.
Exemplo
Uma carta de R$ 300.000 em 200 meses, financiamento a 0,95% ao mês, consórcio com 19% + 2% + 2%, contemplação estimada no mês 60 e investimento rendendo 1% ao mês líquido:
- Financiar: bem na hora; parcela de R$ 3.356,56, saindo R$ 671.312 do bolso (juros de R$ 371 mil). É o mais caro, mas o único que entrega o bem imediatamente.
- Consórcio: bem só por volta do mês 60 (contemplação estimada); parcela cheia de R$ 1.815 (R$ 1.361 até contemplar), R$ 369.000 no total.
- Juntar e investir: junta e compra à vista por volta do mês 99; aporta R$ 1.815/mês e tira só R$ 177.965 do bolso (o rendimento cobre R$ 122 mil). É quem menos pesa no bolso, mas o que faz esperar mais.
Não existe resposta única: juntar tira bem menos do bolso, mas te deixa cerca de 8 anos sem o bem; financiar entrega na hora, custando mais. E, como a dívida (0,95%) custa menos do que o investimento rende (1% líq.), financiar e manter o dinheiro investido pode compensar apesar dos juros — com dívida cara, a balança vira. Depende das suas taxas e da sua pressa.
Qual escolher
- Precisa do bem já? Financiamento — você usa na hora; e, se a dívida for mais barata que seu investimento, compensa mesmo pagando juros.
- Pode esperar e a dívida está cara? Consórcio evita os juros; ajuste o mês de contemplação para ver o efeito da espera.
- Tem disciplina para guardar? Juntar e comprar à vista é quem menos tira do bolso (o rendimento ajuda) — dá até para negociar desconto à vista; calcule o aporte na meta financeira.
- Atenção aos reajustes: a parcela do consórcio é corrigida todo ano pelo índice do contrato (no imóvel, em geral o INCC), e a do financiamento pode ter seguros e tarifas — confira o CET.
Dúvidas comuns
Consórcio é mais barato que financiamento?
Quanto custa a taxa de administração?
A taxa de administração do consórcio é a mesma coisa que juros?
Qual a desvantagem do consórcio?
Dá para adiantar a contemplação?
E juntar o dinheiro e comprar à vista?
Comparação didática de custo. Não modela reajuste da carta (índice do contrato), seguros, lance, eventual devolução do fundo de reserva, nem a depreciação/valorização do bem ou o valor de usá-lo durante a espera. Confirme as condições no contrato da administradora e do banco antes de decidir.