Calcular a prestação: PGTO, TAXA e NPER
Por Bruno Tonetto · Revisto em · Como verificamos
A prestação de um crédito liga quatro grandezas: a própria prestação (PGTO), o montante do crédito (VA), a taxa de juro e o número de prestações (NPER) — os nomes são os das funções do Excel em português. A calculadora abaixo descobre qualquer uma das quatro a partir das outras três e monta o plano de amortização completo, prestação a prestação.
Como funciona a prestação constante
Nos créditos bancários portugueses paga-se sempre o mesmo valor de prestação do início ao fim do contrato — o sistema de prestações constantes, ou sistema francês (conhecido no Brasil como «Tabela Price»). Cada prestação tem duas partes: os juros, calculados sobre o capital em dívida do mês, e o capital amortizado, que abate a dívida. No início a prestação é quase só juros; com o tempo o capital em dívida cai, os juros diminuem e a amortização cresce — mas a soma das duas permanece constante.
No crédito habitação a taxa variável, a mesma conta vale entre revisões da Euríbor: em cada refixação, a prestação é recalculada com a nova taxa sobre o capital em dívida.
As quatro fórmulas no Excel (pt-PT)
A calculadora usa as mesmas funções financeiras do Excel em português de Portugal. Abaixo elas já vêm com os números do exemplo (20 000 €, 60 prestações, 0,5% ao mês — uma TAN de 6%) — é copiar e colar para testar. Repare na convenção de fluxo de caixa: entradas e saídas têm sinais opostos, então numa fórmula ou o montante ou a prestação entra com sinal negativo. No Excel em inglês os nomes são PMT, PV, RATE e NPER — veja a tabela completa de tradução das funções.
=PGTO(0,5%; 60; -20000) → 386,66 € =VA(0,5%; 60; -386,66) → ≈ 20 000 € =TAXA(60; -386,66; 20000) → 0,5% ao mês =NPER(0,5%; -386,66; 20000) → 60 prestações Exemplo de cálculo
Suponha um crédito automóvel de 20 000 € em 60 prestações iguais, sem entrada, a 0,5% ao mês (TAN de 6%). Aplicando a fórmula, cada prestação fica em 386,66 €. Ao longo dos 60 meses pagam-se 23 199,36 €, dos quais 3199,36 € são juros.
Os cálculos são reversíveis: com 60 prestações de 386,66 € a 0,5% ao mês, a calculadora devolve praticamente os 20 000 € financiados (a diferença de cêntimos vem do arredondamento da prestação, cujo valor exato é 386,6560…); e com 20 000 € em prestações de 386,66 € a 0,5%, devolve as 60 prestações. Troque os valores para ver o seu caso.
Curiosidade: o peso dos juros
Se o mesmo crédito de 20 000 € em 60 meses não tivesse juros, a
prestação seria de apenas 20 000 / 60 = 333,33 €. Os 53 €
a mais por mês são o custo dos juros sobre o capital em dívida. E um detalhe
revelador: quem investisse 386,66 € por mês a 0,5% ao mês teria, ao fim
dos 60 meses, cerca de 26 977 € — mais de um terço acima do
preço do carro. É a diferença entre pagar e receber juro composto.
Dúvidas comuns
Como calcular o capital em dívida para liquidar antes?
Recebi uma taxa anual (TAN). Como converter para mensal?
Porque é que a prestação real é mais alta do que a calculada?
E se der uma entrada?
Um pouco de álgebra
A fórmula da prestação (PGTO) vem do valor atual de uma série de pagamentos iguais:
PGTO = VA·i / (1 − (1 + i)−n) VA = PGTO·(1 − (1 + i)−n) / i
onde VA é o montante do crédito, PGTO a prestação,
i a taxa por período e n o número de prestações. Para o
número de prestações isola-se n com logaritmo; já a
taxa não tem fórmula fechada — encontra-se por um algoritmo
iterativo, exatamente como fazem a função TAXA do Excel e a
HP-12C.
O cálculo é exato para os valores informados. A prestação real, porém, inclui comissões, seguros e Imposto do Selo (a TAEG) — confirme as condições com o seu banco.